Lições Bíblicas_Atos dos Apóstolos

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Lição 13 AS VIAGENS MISSIONÁRIAS DE PAULO

ESBOÇO Nº 13 – PAULO TESTIFICA DE CRISTO EM ROMA

A ida de Paulo a Roma completa a chegada do Evangelho aos gentios.

INTRODUÇÃO

Concluiremos o estudo do livro de Atos dos Apóstolos com sucinta análise dos capítulos 21 a 28,que nos falam dos episódios que cercaram a ida de Paulo a Jerusalém, sua prisão e sua posterior ida para Roma.

A prisão de Paulo e sua ida para Roma completa o círculo da geração apostólica, pois o Evangelho sai de Jerusalém e chega à capital do Império.

I – PAULO EM JERUSALÉM

– Nesta última lição deste trimestre, estudaremos a chegada de Paulo a Jerusalém, sua prisão, sua ida para Cesareia onde apelou para César e sua posterior ida a Roma, onde termina a narrativa de Lucas.

Após Paulo ter se despedido dos anciãos da igreja de Éfeso em Mileto, quando afirmou que jamais voltaria a vê-los, o apóstolo ruma para Jerusalém(At.20:17-38).

Paulo sentira um impulso do Espírito Santo para testificar do Evangelho em Roma e, se possível, ser encaminhado pela igreja de Roma até a Espanha, então o extremo ocidental do Império Romano no continente europeu, uma área que ainda não havia sido evangelizada. Por isso, quando ainda estava em Cencreia, o porto do Mar Egeu que fica muito próximo a Corinto, escreveu uma carta aos crentes de Roma, manifestando o seu desejo (Rm.15:19-33).

– Apesar de ser o desejo de Paulo impulsionado pelo Espírito, notamos, claramente, que sua pressa em chegar a Jerusalém até o dia de Pentecostes, onde entregaria os recursos auferidos pela coleta entre as igrejas gentílicas para os pobres de Jerusalém (At.20:16), não foi ratificada pelo Senhor, sendo uma precipitação do apóstolo.

– Ao longo de sua apressada viagem para Jerusalém, por diversas vezes, os irmãos foram usados pelo Espírito Santo para alertar o apóstolo de que, em Jerusalém, sofreria ele dificuldades, até mesmo a prisão, o que, entretanto, não fez com que Paulo desistisse de ir a Jerusalém (At.20:22-24; 21:4,10-14).

– O propósito do Senhor era que Paulo testificasse do Evangelho em Roma e fosse até o lado ocidental do Império, à Espanha, o que não se faria sem a necessidade de Paulo ir até Jerusalém, já que os recursos poderiam ser levados por pessoas de confiança. Entretanto, o apóstolo insistiu em ir até Jerusalém, o que o levou a sofrer prisões e tribulações.

– Vemos aqui, neste episódio, como, claramente, o Senhor respeita o livre-arbítrio humano. O desejo do Senhor era de que Paulo testificasse d’Ele em Roma e, diante desta vontade soberana, Paulo iria para Roma. No entanto, o Senhor quis poupá-lo do sofrimento, alertando-o para que não fosse até Jerusalém, mas o apóstolo manteve-se irredutível e, deste modo, acabou padecendo por sua teimosia. Que isto nos sirva de alerta para que sejamos sensíveis ao Espírito Santo para que não venhamos a padecer as consequências da dureza de nossa cerviz. Por isso, as Escrituras nos ensinam a não endurecer os nossos corações quando falar o Espírito de Deus (Hb.3:15).

– Deixando Mileto, Paulo chegou a Cós e, no dia seguinte, a Rodes, de onde passou para Pátara, todos portos e ilhas do Mar Egeu. Ali, encontrou um navio que ia para a Fenícia (território que hoje corresponde ao Líbano, ao norte da Palestina), desembarcando em Tiro, onde ficaram por sete dias na companhia de alguns discípulos que, usados pelo Senhor, diziam a Paulo que não subisse a Jerusalém (At.21:1-4).

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– De Tiro foram a Ptolemaida, cidade já localizada no norte da Palestina, onde ficaram um dia com os irmãos, partindo dali e indo a Cesareia, cuja igreja continuava a ser liderada por Filipe, com quem ficaram alguns dias, ocasião em que o profeta Ágabo foi usado por Deus, uma vez mais, para profetizar a respeito da prisão de Paulo, que, no entanto, apesar dos apelos dos irmãos, mostrou-se irredutível no seu desígnio de ir a Jerusalém, para onde se dirigiu (At.21:5-16).

Chegando a Jerusalém, Paulo hospedou-se na casa de Mnason, um discípulo antigo e oriundo de Chipre, com quem havia se encontrado em Cesareia, sendo recebido por Tiago e pelos demais anciãos, numa clara demonstração que, neste tempo, a igreja em Jerusalém continuava sendo liderada por Tiago, o irmão do Senhor (At.21:16-19).

Paulo, então, fez um relato de seu trabalho entre os gentios, a nos mostrar, uma vez mais, que, apesar de ter realizado a terceira viagem missionária por conta própria, sem ser encaminhado por qualquer igreja, o apóstolo sentiu-se na obrigação de relatar à “igreja-mãe” tudo quanto fizera em nome do Senhor. Este mesmo sentimento precisamos ter, visto que não se pode trabalhar para Cristo sem prestar contas à Igreja. Que lição aprendemos com Paulo, lição esta a ser devidamente aprendida pelos “itinerantes” que proliferam cada vez mais em nosso meio…

– Após o relato de Paulo, porém, tanto Tiago quanto os anciãos da igreja em Jerusalém deram um quadro não muito favorável ao apóstolo a respeito de seu ministério. Os judaizantes, apesar de derrotados no concílio, continuaram a perturbar o ministério do apóstolo Paulo e passaram a espalhar falsas notícias, principalmente a de que Paulo estava a incitar os judeus a não observarem a lei de Moisés. Como se sabe, no concílio, havia sido decidido que os gentios não estavam submissos à lei mosaica, mas nada se decidira a respeito dos judeus, que, em Jerusalém, eram “zeladores da lei”.

As notícias apresentadas pelos judaizantes não eram verdadeiras. Paulo, embora ensinasse que não estavam mais os crentes debaixo da lei, jamais havia mandado que os judeus deixassem de observar a lei, considerando que este dado cultural deveria ser mantido para que não houvesse escândalo, como, aliás, havia deixado claro no capítulo 14 da epístola que encaminhara aos romanos, escrita pouco antes de sua viagem a Jerusalém. Tanto assim é que, como já vimos, no início de sua segunda viagem, circuncidou a Timóteo (At.16:3).

– O fato é que os judaizantes, mesmo sendo crentes, estavam agindo como os judeus que não haviam se convertido, ou seja, movidos por inveja, caluniavam e acusavam o apóstolo Paulo injustamente. Os anciãos, então, propuseram a Paulo que, a fim de dar um basta em toda aquela maledicência, acompanhasse quatro varões que fizeram voto e que se santificasse com eles, fazendo por eles os gastos para que rapem a cabeça e, deste modo, cumprindo um ritual da lei, o apóstolo mostraria que não era verdade o que estavam a dizer dele (At.21:20-24).

– Paulo aquiesceu ao pedido dos anciãos e foi cumprir o rito do voto feito pelos quatro varões (At.21:26). Esta decisão de Paulo era absolutamente coerente com o que havia escrito aos romanos, sob inspiração do Espírito Santo, ou seja, que não devemos ser instrumento de escândalo aos irmãos para que eles não percam a salvação (Rm.14). Além do mais, o próprio Paulo ainda observava costumes da lei, não para fins de salvação, mas como elemento cultural que havia mantido em sua maneira de viver, visto que também havia feito voto similar ao que os quatro varões estavam a fazer, voto este feito em Cencreia por ocasião da segunda viagem missionária (At.18:18).

– Mas próximo ao fim dos sete dias do ritual, Paulo foi reconhecido no templo por alguns judeus da Ásia e houve um alvoroço no templo, tendo lançado mão do apóstolo, acusando-o de ser um ensinador contra o povo e contra a lei por todas as partes, além de ter introduzido no templo gregos, profanando aquele lugar sagrado, cuidando que Paulo tivesse feito entrar no templo a Trófimo de Éfeso, que fazia parte de sua comitiva.

Paulo, então, foi arrastado para fora do templo e, como havia intenção de matá-lo, a notícia chegou ao tribuno da corte, Claúdio Lísias(At.23:26), que, então, interveio no tumulto, prendendo a Paulo e o mandando atar com duas cadeias e, perguntando o porquê do tumulto e, diante da confusão formada, mandou que levassem Paulo até a fortaleza, o que se fez com grande dificuldade, pois a multidão queria matá-lo. O apóstolo fora confundido com um egípcio que havia feito uma sedição naqueles dias, tendo, então, Paulo se identificado como natural de Tarso, judeu, tendo pedido e obtido a oportunidade de se dirigir ao povo (At.21:27-40).

– Paulo foi preso porque estava a cumprir um ritual da lei? Não, não foi este o motivo de sua prisão. Paulo foi preso porque chegou a Jerusalém, quando isto não lhe era necessário. O cumprimento do ritual da lei não pode ser considerado uma falha por si mesmo, visto que o apóstolo o fazia para não dar margem a escândalo na igreja, movido pelo amor de Deus. O fato é que não deveria estar em Jerusalém e esta foi a sua falha. A contemporização com os judaizantes é uma consequência desta sua ida precipitada e teimosa a Jerusalém. Assim, enquanto decorrência daquele primeiro ato, temos ali uma atitude imprudente do apóstolo, mas o fato em si, repita-se, não representa uma falha dentro do contexto em que se deu.

Paulo, então, proferiu uma defesa perante aquela multidão enfurecida que queria matá-lo. Havia falado com o tribuno em grego, mas se dirigiu ao povo em hebraico, o que fez com que todos se silenciassem. Neste seu discurso, o apóstolo conta o seu testemunho, a sua conversão a Cristo, bem como sua chamada para os gentios, instante em que a multidão não quis mais ouvi-lo, tentando matá-lo, o que obrigou o tribuno a mandar levá-lo para a fortaleza e a examiná-lo com açoites (At.22:1-24).

Paulo, então, identificou-se como cidadão romano antes de ser açoitado, o que impediu que sofresse aquele suplício, tendo o tribuno, temeroso do fato de que havia prendido a Paulo apesar de sua cidadania romana, resolvido saber do que o estavam acusando, tendo, então, resolvido levá-lo ao Sinédrio (At.22:25-30).

– Notemos que a multidão não quis ouvir Paulo a partir do momento em que ele se disse enviado pelo Senhor aos gentios. Jerusalém não queria ouvi-lo, pois sua chamada era para os gentios. Assim como o Senhor já revelara durante toda a viagem de Paulo a Jerusalém, ali não era o seu lugar, ali ele não deveria testificar.

– Perante o Sinédrio, tribunal demasiadamente conhecido do apóstolo (que, ou foi membro do Sinédrio ou o assessorava antes da conversão), Paulo apresentou-se como alguém que tinha boa consciência diante de Deus (At.23:1). Esta é uma lição que temos de ter como servos do Senhor: sempre que comparecermos perante as autoridades, temos de estar em boa consciência diante de Deus. É esta a nossa condição quando nos apresentamos às autoridades?

– Esta afirmação do apóstolo levou a ser ferido na boca por ordem do sumo sacerdote e o apóstolo, então, pronunciou uma sentença contra o sumo sacerdote, sendo imediatamente repreendido, o que o levou a se retratar e, ante a situação delicada em que se encontrava, aproveitou-se da divisão que havia na suprema corte judaica, invocando a sua condição de fariseu, dizendo-se julgado no tocante à esperança e ressurreição dos mortos, que era o principal ponto de discórdia entre saduceus e fariseus, que dividiam entre si os assentos no Sinédrio. Os membros do Sinédrio passaram, então, a se altercar entre si, querendo os fariseus que Paulo nada sofresse, ao contrário dos saduceus e, ante o tumulto instalado, o tribuno mandou que levassem Paulo para a fortaleza. Na fortaleza, o Senhor reafirma que o propósito era levar o apóstolo a Roma (At.23:1-11).

– Um grupo de judeus, então, fez uma conspiração e prometeram não comer nem beber enquanto não matassem a Paulo, o que foi denunciado ao tribunoque, descobrindo o plano de matar o apóstolo enquanto fosse ele novamente conduzido ao Sinédrio, encaminhou-o ao então presidente da Judéia, Félix, em Cesareia, onde foi guardado no pretório de Herodes. O Senhor, assim, confirmava a palavra dita a Paulo, livrando-o das mãos dos judeus, mas o pondo nas mãos dos romanos (At.23:12-35).

II – PAULO EM CESAREIA

– O sumo sacerdote Ananias e os anciãos do Sinédrio foram, então, até Cesareia, acompanhados de Tértulo, um orador, i.e., um advogado que haviam contratado para defender sua causa diante do governador contra Paulo. Tértulo, então, formulou a acusação contra o apóstolo, chamando-o de “peste e promotor de sedições entre todos os judeus, por todo o mundo, e o principal defensor da seita dos nazarenos, que havia intentado profanar o templo”. O apóstolo era, pois, acusado de profanação do temploe, como tal, o Sinédrio queria julgá-lo, visto ser o tribunal competente para as causas religiosas judaicas (At.24:1-9).

O presidente Félix deu, então, a palavra a Paulo que, como cidadão romano, tinha direito à defesa, negando que tivesse sido achado no templo, onde fora há não mais de doze dias, falando com alguém ou amotinando o povo nas sinagogas nem na cidade, nem tampouco havia provas das acusações feitas, mas, com relação ao que haviam afirmado a respeito “daquele caminho que chamam seita”, o apóstolo admitiu servir ao Deus de seus pais, crendo em tudo quanto estava escrito na lei e nos profetas, tendo esperança em Deus, na ressurreição dos mortos, tanto justos quanto injustos, buscando ter uma consciência sem ofensa tanto para com Deus como para com os homens. Confirmou que estava se santificando no templo e que nada havia praticado daquilo que o haviam acusado e Félix, então, disse que aguardaria a vinda do tribuno para tomar uma decisão (At.24:10-22).

– Paulo mostra-nos como devemos nos comportar diante das autoridades quando para lá formos enviados por causa da nossa fé, circunstância cada vez mais frequente em todo o mundo, até mesmo no Brasil, visto que estamos já no final de nossa dispensação (Lc.21:12-19). Devemos falar tão somente a verdade e jamais nos envergonharmos do Evangelho de Cristo Jesus. Paulo, dirigido pelo Espírito Santo, aproveitou-se da dissensão existente entre os judeus a respeito da ressurreição dos mortos e não teve qualquer receio de confessar o nome de Cristo. Procedamos assim e seremos mais do que vencedores por aquele que nos amou, vitória que nem sempre representará o livramento da morte ou da prisão, mas que se traduzirá na nossa chegada aos céus. Aleluia!

– Félix, então, dias depois, chamou Paulo para ouvir a respeito da fé em Cristo, acompanhada de sua mulher Drusila, que era judia. O apóstolo, uma vez mais, não se envergonhou de suas crenças, falando a respeito da justiça, e da temperança, e do juízo vindouro, causou pavor no presidente que o mandou embora, dizendo que, em outra oportunidade, o chamaria (At.24:23-25).

Paulo não se acovardou diante do presidente, mesmo necessitando de um parecer favorável dele para se manter vivo. O apóstolo tinha convicção de que iria para Roma, o Senhor assim lhe havia prometido e, portanto, aproveitava todas as oportunidades que tinha para evangelizar, mesmo na prisão. Mais uma vez vemos que o conteúdo da pregação do Evangelho envolve o arrependimento dos pecados, a santificação e a esperança da volta de Jesus Cristo para arrebatar a Sua Igreja. Paulo falou a Félix sobre a justiça, ou seja, a necessidade que temos de sermos justificados pela fé em Cristo; da temperança, ou seja, da vida com moderação, da vida sob o controle do Espírito Santo (a temperança é o último “gomo” do fruto do Espírito – Gl.5:22) e do juízo vindouro, ou seja, de que todos deveremos comparecer perante o Senhor para dar conta daquilo que fizemos em nossa existência terrena.

– Temos repetido esta mensagem de Paulo perante as autoridades? Temos tido coragem de falar a respeito da justiça, da temperança e do juízo vindouro diante de governantes que estão sendo agentes do espírito do Anticristo, que estão a defender a “ditadura do relativismo”? Sejamos crentes como Paulo!

Paulo foi chamado outras vezes por Félix e, nestas oportunidades, sempre testificava do Evangelho. Félix, entretanto, não tinha interesse em se converter mas em criar um clima propício para que recebesse dinheiro de Paulo e, deste modo, o soltasse. Félix estava, pois, convencido da inocência do apóstolo, mas queria obter dinheiro. Paulo, porém, em momento algum, deixou levar-se por estas insinuações, mantendo-se, durante dois anos, ali em Cesareia, sem ceder aos “cantos de sereia” do corrupto Félix que, quando foi substituído por Pórcio Festo, manteve Paulo preso para agradar os judeus (At.24:26,27).

– Vemos aqui que, assim como dantes, a relação com os governantes deve ser levada com a sinceridade de propósitos e a fé na verdade como procedeu o apóstolo Paulo. Os governos são movidos por corrupção e por popularidade. Não é possível haver uma conjugação entre Igreja e Estado, visto que este último pretende sempre a contemporização, o consenso, mesmo que isto signifique o sacrifício da verdade e da justiça, enquanto que a primeira é “a coluna e firmeza da verdade” (I Tm.3:15).

– Muitos, ao longo da história da Igreja, têm cedido à tentação de comunhão com o poder político, para tanto aceitando o binômio corrupção-popularidade que é oferecido pelo Estado. Paulo não aceitou as insinuações de Félix para que, por dinheiro, ganhasse a sua liberdade, mantendo-se preso diante da lei dos homens, mas livre no sentido espiritual, vez que manteve a sua comunhão com o Senhor Jesus. Quantos, na atualidade, não se encontram “livres” do ponto-de-vista político, mas completamente presos nas garras do pecado porque aceitaram se corromper por dinheiro? Nos dias de hoje, não se está mais a só pedir dinheiro a certos “evangélicos”, mas a abastecê-los de dinheiro, também, pois são eles verdadeiros Félix, que, por dinheiro, tudo fazem. Tomemos cuidado, irmãos, pois o amor do dinheiro é a razão pela qual muitos se desviaram da fé (I Tm.6:20).

OBS: Nas últimas eleições presidenciais, vimos com tristeza que um determinado partido político conhecido pela filiação de vários “evangélicos” mudou, na última hora, de coligação, tendo sido, não coincidentemente, o partido que mais dinheiro ganhou para a sua campanha eleitoral por parte da coligação governista. Entendeu-se, então, na prestação de contas da campanha, o motivo da mudança de coligação. Que vergonha!

Com a mudança de presidente, os adversários de Paulo fizeram nova investida, buscando uma forma de trazê-lo até Jerusalém, de modo a poder matá-lo no caminho. Festo ainda estava em Jerusalém, nem havia ido a Cesareia, quando foi interpelado pelo sumo sacerdote e pelos principais dos judeus. Notamos aqui que os adversários de Paulo não estavam nem um pouco interessados em fazer um julgamento do apóstolo, mas tão somente em ceifar-lhe a vida. Esta situação serve-nos de parâmetro para discernirmos espiritualmente quando houver uma contenda em que nos envolvamos: os justos quererão sempre o julgamento, a apuração da verdade; os ímpios, a morte do adversário. Afinal de contas, quem não serve ao Senhor sinceramente não passa de um homicida, já que não tem o amor de Deus nem o amor ao próximo (I Jo.3:11-15).

– Nos dias hodiernos, não é diferente. Poderão muitos objetar, dizendo que são muitos os adversários da obra de Deus que não recorrem ao homicídio para resolver suas contendas com os filhos de Deus. Não nos iludamos, amados irmãos! Homicida não é apenas aquele que causa a morte física de alguém, mas todo aquele que tenta, de alguma forma, menosprezar, aviltar ou retirar a dignidade do próximo. O próprio Jesus disse que aquele que, sem motivo, se encolerizar contra o seu irmão ou disser a seu irmão que ele é tolo ou louco será considerado um homicida (Mt.5:21,22).

– Em nossos dias, vivemos, como afirmou certa feita o padre Paulo Ricardo de Azevedo Júnior, dias em que o homicídio é feito mediante “estratégias de veludo”, ou seja, procura-se destruir e matar o cristão de forma “civilizada”, ou seja, não se recorre ao fuzilamento ou ao derramamento de sangue, mas se obtém o mesmo objetivo desacreditando, caluniando, “demonizando” o cristão, retirando-lhe qualquer respeito, consideração ou, mesmo, todo espaço que puder ter na sociedade.

– Festo, porém, preferiu ir a Cesareia e lá cuidar do caso. Em Cesareia, mandou que trouxessem a Paulo, sendo reiniciada a causa, novamente Paulo sofrendo acusações e apresentando sua defesa. Festo, então, propôs a Paulo, para agradar os judeus, que fosse julgado em Jerusalém e lá ser julgado perante Festo, mas, então, Paulo, sabendo da má intenção de seus adversários, apelou para a sua cidadania romana, querendo, então, ser julgado perante César em Roma. Ante esta afirmação, Festo, então, determinou que o caso fosse levado ao Imperador em Roma (At.25:1-12).

O apóstolo teve discernimento espiritual para apelar para César. Havia uma promessa de Deus de que iria testificar do nome do Senhor em Roma. Ora, apelando para César, iria para Roma, ou seja, estaria a fazer a vontade do Senhor. Também, havia compreendido que seu lugar não era Jerusalém, aonde teimosamente fora há dois anos, apesar de todas as advertências do Espírito Santo. Assim, usando de algo que Deus lhe concedera, ou seja, a cidadania romana, fez com que a vontade de Deus se cumprisse.

– Assim também nós devemos proceder ao longo de nossa jornada de fé. Temos de fazer uso daquelas situações, posições e poderes que o Senhor nos concede na vida social mas única e exclusivamente para fazer a vontade de Deus, pois aquele que a faz permanece para sempre (I Jo.2:17).

– Quando Festo recebeu a visita do rei Herodes Agripa II e de sua mulher Berenice, ficando o rei (que tinha praticamente domínio sobre todo o território que fora de seu avô, Herodes, o Grande), cuidou do caso de Paulo, tendo, então, marcado para que Paulo falasse na presença dos monarcas, a fim de que tivesse o que relatar ao Imperador no encaminhamento do apóstolo a Roma (At.25:13-22). Nesta menção a respeito do caso de Paulo, Festo disse que as questões envolvendo os judeus e o apóstolo diziam respeito a “um tal Jesus, defunto, que Paulo afirmava viver” (At.25:19).

– Vemos, pois, claramente que o apóstolo Paulo centrava a sua mensagem na morte e ressurreição de Cristo Jesus. Por isso, dizia que nada propunha saber entre as pessoas senão Cristo e Este, crucificado (I Co.2:2), afirmando ainda que se Cristo não tivesse ressuscitado, vã seria tanto a pregação quanto a fé (I Co.15:14). Jesus era o centro da pregação de Paulo e as pregações que ouvimos atualmente? Podemos chamar de cristãos aqueles que não mais falam da morte e ressurreição de Cristo, mas tão somente em dinheiro, bens materiais e uma falsa imunidade contra problemas e adversidades? Tomemos cuidado, irmãos!

Diante de Herodes Agripa II e de Berenice, Paulo, mais uma vez, aproveitou a oportunidade que se lhe dava para testificar do nome do Senhor. Afinal de contas, não estavam presentes apenas os monarcas mas os tribunos e os varões principais de Cesareia. Mais uma vez, o apóstolo conta o seu testemunho, como de fariseu se tornara um cristão, mostrando que tudo o que fazia era obedecer à visão celestial que tivera no caminho de Damasco, no seu encontro com o Senhor Jesus. Paulo limitara-se “…a anunciar primeiramente aos que estavam em Damasco em Jerusalém, e por toda a terra da Judeia, e aos gentios, que se emendassem e se convertessem a Deus, fazendo obras dignas de arrependimento” (At.26:20). A mensagem central de Paulo era o arrependimento dos pecados e o que estamos a pregar atualmente? Prosperidade material? Pensamento positivo? Não foi esta a mensagem que o Espírito Santo espraiou nos dias apostólicos, não foi esta a mensagem que se pôs na Bíblia Sagrada no livro modelar da Igreja, que é Atos, para ser pregada até a volta de Jesus! Voltemos às Escrituras o quanto antes!

– O apóstolo, ainda, afirmou que, apesar de ser preso por causa dos judeus, não deixava de anunciar esta verdade a grandes e pequenos, mesmo na prisão, até porque o que dizia não era senão o cumprimento da lei e dos profetas. Agripa II, então, tem uma reação parecida com a de Félix, mandando que Paulo parasse de falar, pois “as muitas letras o faziam delirar” e “por pouco o querer persuadir a que se fizesse cristão”. O apóstolo diz que está em perfeito juízo e que seu objetivo, mesmo, era que não só o rei mas todos os ouvintes se tornassem tal qual ele era, com exceção das cadeias. O resultado de tudo foi a convicção de todos de que Paulo era inocente e que poderia ser solto se não tivesse apelado para César (At.26).

OBS: Com base nesta pregação feita a Agripa, que foi a base para os escritos que Festo mandou para Roma, é que se baseiam as afirmações dos estudiosos de que, em Roma, Paulo foi absolvido de todas as acusações e pôde, então, ir para a Espanha e somente quando de lá retornou, já em meio à perseguição de Nero, foi novamente preso e, então, condenado à morte, sendo este segundo julgamento o mencionado pelo apóstolo em sua última carta, II Timóteo.

– Com Félix e com Agripa temos a resistência “civilizada” ao Evangelho. Ambos não se renderam ao Senhor Jesus mas não se mostraram severos contra o apóstolo. São pessoas que, apesar de não crerem em Jesus, apresentam-se como “tementes ao Senhor”, ou seja, revelam respeito e consideração por Deus, não se atrevendo a interromper a evangelização. Oremos para que tais pessoas continuem a ser maioria em nosso país!

III – PAULO A CAMINHO DE ROMA

Festo, então, após elaborar seus escritos, mandou que Paulo fosse para a Itália, mandando Paulo e outros presos para um navio, sob a responsabilidade de um centurião chamado Júlio. Paulo fazia-se acompanhar de alguns companheiros, a saber, Lucas e Aristarco, macedônio de Tessalônica. A narrativa da viagem de Paulo a Roma é uma das “seções nós” do livro de Atos, passagens em que Lucas se inclui como personagem.

– Paulo inicia a sua viagem acompanhado de dois grandes amigos. Como é bom cultivarmos amizades. Era um momento difícil para o apóstolo que, depois de mais de dois anos de prisão em Cesareia, onde fora tratado com brandura e tivera plena liberdade para pregar o Evangelho na prisão, agora mudava de ambiente, indo num navio com outros prisioneiros sem saber o que o esperava em Roma. No entanto, tanto Lucas quanto Aristarco se dispuseram a acompanhá-lo, fazendo-o tão somente por amor fraternal, vez que não havia qualquer vantagem em acompanhar um prisioneiro até a capital do Império. Temos exercido a amizade cristã até este ponto? Pensemos nisto!

Partindo de Cesareia, no dia seguinte, chegaram a Sidom, onde o centurião Júlio, tratando humanamente Paulo, permitiu-lhe ver os amigos para que cuidassem dele. Paulo era um homem que tinha amigos. Era um homem de Deus, mas também nutrira relacionamentos sociais que o permitia ter amigos e verdadeiros amigos, que com ele estavam nas agruras, nas dificuldades. Que exemplo a seguirmos nesta jornada da fé!

De Sidom, foram navegando abaixo de Chipre, porque os ventos eram contráriose, tendo atravessado o mar, ao longo da Cilícia (terra natal de Paulo) e Panfília, chegaram a Mirra, na Lícia, onde o centurião os fez embarcar num navio que vinha de Alexandria, que navegava para a Itália. A navegação mostrava-se difícil, tendo assim permanecido mesmo com a mudança de navio, tendo o navio navegado vagarosamente, chegando apenas defronte de Cnido, não os permitindo o vento ir mais adiante, navegando abaixo de Creta, junto de Salmone, que foi costeada dificilmente, tendo se chegado a um lugar chamado Bons Portos, perto do qual estava a cidade de Laseia (At.27:4-8).

Esta dificuldade na navegação não passou despercebida por Paulo que foi buscar ao Senhor a respeito destas circunstâncias adversas, a ponto de ter, passado muito tempo e sendo já perigosa a navegação, ter o próprio Paulo admoestado a todos dizendo que a navegação seria incômoda e com muito dano, não só para o navio e carga, como também para a vida de todos. Entretanto, o centurião cria mais no piloto e no mestre do que no que dizia Paulo, de modo que, como aquele porto era incômodo para invernar, resolveram partir para Fênix, um porto de Creta, para ali passar o inverno (At.27:9-12).

– Temos nesta situação uma perfeita ilustração do que ocorre em nossos dias. Assim como o centurião, muitos que estão em eminência confiam mais nos conhecimentos humanos, na tradição, na cultura, na ciência do que na palavra daqueles que têm intimidade com o Senhor. Paulo fora buscar a Deus ao ver que a navegação se fizera vagarosa e perigosa, mas ninguém lhe deu atenção. Preferiram confiar no piloto e no mestre, naqueles que eram humanamente adestrados para dar a devida opinião. O resultado deste desprezo da admoestação do apóstolo não se fez tardar. Que não nos comportemos como o centurião Júlio, mas que sejamos sensíveis à voz do Espírito Santo através dos Seus servos!

– Não busquemos comodidade, mas procuremos estar sempre na vontade do Senhor. Bons Portos era um porto incômodo para invernar, mas se deveria ter seguido a orientação do servo do Senhor. Ao revés, entenderam que poderiam chegar a Fênix, o porto da comodidade. Não nos guiemos jamais pela comodidade, como fez o levita Jônatas, filho de Gerson, que se tornou, por causa disso, um sacerdote idólatra e que capitaneou a apostasia de toda uma tribo de Israel, a tribo de Dã (Jz.18), que, talvez por causa disso, não é nomeada entre os remanescentes de Israel no final dos tempos (Ap.7:4-8). Quem busca comodidade perde a salvação!

– No início da viagem a Fênix, pareceu que haviam acertado não seguir o conselho de Paulo, pois o vento sul soprava brandamente, mas não muito depois deu nela um pé de vento, chamado euroaquilão e, sendo o navio arrebatado, não podendo navegar contra o vento, nada puderam fazer, indo o navio à toa. Como se não bastasse, o navio foi atingido por uma veemente tempestade, tendo, então, se perdido, entre os que estavam no navio, a esperança de salvar-se, após dias de tempestade, sem que aparecesse seja o sol, sejam as estrelas (At.27:13-20).

O desânimo era tanto que nem sequer as pessoas se alimentavam no navio, mas, Paulo, pondo-se em pé no meio deles, reiterou que deveriam tê-lo ouvido quando dissera para não saírem de Creta, mas, diante das adversidades, que ninguém temesse porque todos iriam se salvar, com exceção do navio, pois assim lhe fora dito por um anjo de Deus, visto que era necessário que Paulo fosse a Roma e que, por isso, Deus lhe havia dado todos quantos navegavam com ele, mas era necessário que parassem numa ilha (At.27:21-26).

– Após ter sido desconsiderada sua admoestação, Paulo permanecera em oração, em contato com o Senhor. O desânimo tomara conta de todos (inclusive dos amigos de Paulo na viagem), porque desânimo é o resultado de quem se envolve tão somente com as coisas dos homens, quem confia apenas na ciência, técnica e tudo quanto se relacione com o que é criado e construído pelo homem. Humanamente falando não havia esperança para aquela gente, mas entre eles havia um servo de Deus que buscou ao Senhor.

– Deus queria que Paulo fosse a Roma e, por causa dele, todos quantos estavam no navio estavam desfrutando do livramento que seria dado naquela situação irremediável. Paulo, por estar a fazer a vontade de Deus, trazia bênção e livramento para os que com ele estavam. Como verdadeiro “filho de Abraão”, Paulo era uma “bênção” para todos os que navagavam naquele navio (Gn.12:2 “in fine”). Temos sido, também, uma bênção para os que nos cercam? Se formos servos de Deus orientados e conduzidos pelo Espírito Santo, seremos, sim, uma bênção.

– Percebamos, a propósito, a diferença entre Jonas e Paulo. Jonas, por estar fora da direção do Senhor, foi uma maldição para os que estavam naquele navio com destino a Társis (Jn.1:3-17). Entretanto, Paulo, por estar na direção do Senhor, foi uma bênção para os passageiros e a tripulação. Jonas, por estar fora da direção do Senhor, dormia em meio a tempestade; Paulo, manteve-se em oração, a ponto de receber a visita de um anjo de Deus que lhe trouxe uma mensagem de ânimo. Jonas precisou ser identificado e levado a confessar sua triste condição; Paulo levantou-se no meio de todos, no momento de maior aflição, trazendo uma mensagem de esperança. A quem temos nos assemelhado em nossa vida cotidiana?

Mesmo em sua viagem para Roma, ainda que como prisioneiro, Paulo era utilizado pelo Senhor como mensageiro da esperança e de boas novas. Paulo pôde testificar do Senhor, mostrando que Ele está sobre tudo e sobre todos, mostrando que é Ele quem tem controle sobre a natureza. Também mostrava que o Senhor é justo e que, diante da relutância em se ouvir a admoestação do apóstolo antes da partida de Creta, as pessoas seriam salvas, mas não o navio, que se perderia. Nunca nos esqueçamos: o Senhor nos salva, mas respondemos pelas consequências de nossa desobediência.

– Após quatorze noites de sofrimento, verificou-se que se estava perto de alguma terra, ocasião em que os marinheiros quiseram fugir do navio, mas, Paulo, percebendo esta manobra, voltou a insistir que eles ficassem no navio, senão não poderiam ser salvos, tendo, então, desfeito esta intenção de fuga, conclamando a todos para que se alimentassem, confiando em Deus e que nenhum cabeço cairia da cabeça de qualquer deles. Ele mesmo, após dizer isto, tomou o pão, deu graças e, partindo-o, começou a comer, sendo, então, seguidos por todos, que se animaram e também comeram (At.27:27-38).

– Paulo assumira, então, definitivamente, o comando daquela embarcação, embora fosse tão somente um prisioneiro. Exortou a todos, manifestou sua fé a todos e levou todos a se alimentarem e a refazer as suas forças, tanto físicas quanto espirituais. Na verdade, após todas aquelas 276 almas se alimentarem, ainda tiveram ânimo para lançar trigo ao mar e aliviar o navio, dando demonstração de que tinham esperança de salvar-se, apesar de as circunstâncias não terem se alterado.

– É elucidativo que Lucas mencione que havia ali 276 almas. Esta expressão mostra que Paulo assumira a liderança espiritual daquela gente e que todos ali tinham o mesmo valor para o Senhor, não importando se eram soldados, marinheiros, passageiros ou prisioneiros. Deus não faz acepção de pessoas e quer levar todos à vida eterna por meio de Cristo Jesus, nosso Senhor. Temos agido desta maneira também, ou já estamos a fazer acepção daqueles que chegam ao “navio”, i.e., à Igreja?

– No dia seguinte, viram uma enseada e começaram a planejar como haveriam de encalhar o navio, tendo, então, os soldados tido a ideia de matar os prisioneiros, ideia que foi rechaçada pelo centurião, que queria salvar a Paulo. Todos nadaram, a começar dos que sabiam, sendo seguidos pelos que não sabiam mas que, usando de tábuas do navio ou de outras coisas do navio, puderam chegar, sãos e salvos, até a ilha, que era a ilha de Malta, assim como dissera o apóstolo(At.27:39-44).

– Paulo dissera que era necessário que, antes de irem para Roma, parassem nesta ilha. Esta necessidade era espiritual. Em Malta, o Senhor havia reservado mais um trabalho para o apóstolo.Bem recebidos pelos habitantes de Malta, quando se acendeu uma fogueira para os náufragos, por causa do frio e da chuva que caía, uma víbora, que fugia do calor, atacou o apóstolo, ficando em sua mão. O apóstolo, então, foi considerado um “maldito”, visto que, tendo escapado do naufrágio, era acometido por uma cobra. No entanto, Paulo sacudiu o animal no fogo e nada lhe aconteceu, passaram a considerá-lo “um deus” (At.28:1-6).

– Recebidos foram, então, por Públio, o principal da ilha, que os hospedou por três dias e Paulo, ao saber que o pai de Públio estava de cama enfermo de febres e disenteria, orou por ele, impôs as mãos e o curou, o que foi o suficiente para que todos os demais que estavam enfermos na ilha fossem até o apóstolo, sendo curados. Foram, então, os viajantes distinguidos com muitas honras e todas as coisas necessárias foram providas para o seguimento da viagem, o que se deu três meses depois. Malta, que hoje é um pequeno país da Europa, que, inclusive, faz parte da União Européia, passou, desde então, a ser um dos bastiões do Cristianismo.

– Paulo mostra, nesta sua iniciativa de ir ao encontro do pai de Públio, que continuava o mesmo que havia dito aos anciãos de Éfeso em Mileto, alguém dedicado a auxiliar os enfermos. A Igreja deve ir ao encontro dos enfermos, levando-os a cura divina. Muitos de nós têm negligenciado este aspecto importantíssimo na evangelização. Muitos nem sequer mais se dispõem a impor as mãos sobre os enfermos em nossos cultos. Isto é inadmissível! Paulo, por seu zelo com os doentes, trouxe bem-estar a todos os passageiros do navio, navio este destruído. A viagem a Roma foi possível mesmo na ausência de recursos, mas porque Paulo se dispôs a fazer a obra de Deus. Aprendamos esta lição!

– Paulo e toda aquela gente embarcou, então, no terceiro navio, também de Alexandria, chamado Castor e Polux, chegando a Siracusa, onde ficaram três dias. Dali foram até Régio e, no segundo dia, chegaram a Putéoli, onde foram achados alguns irmãos, tendo com eles ficado sete dias e, depois, foram para Roma (At.28:11-14).

IV – PAULO EM ROMA

A chegada a Roma não poderia ter sido melhor. Paulo foi recepcionado por irmãos na praça de Ápio e em Três Vendas, e o apóstolo, ao perceber que os crentes romanos os aguardavam e o recebiam de bom ânimo, deu graças a Deus e tomou ânimo (At.28:15). Vemos, pois, como é importante a recepção numa igreja local. O simples gesto de alguém se dispor a receber um irmão traz gratidão a Deus e ânimo para os servos do Senhor. É muito triste vermos como muitos não dão valor a este departamento da igreja, que é fundamental, máxime nos dias em que vivemos, em que o inimigo de nossas almas está pronto a agir quando um irmão é mal recebido no seio da igreja local, pois a má recepção é um instrumento poderoso que se põe a serviço do diabo para desanimar o crente recém-chegado, como também aquele que ainda não recebeu a Cristo e que se introduz em nossa comunidade. Paulo perdeu todo o receio, toda a sua ansiedade ao ser bem recebido pelos irmãos em Roma.

Foi permitido a Paulo que morasse em uma casa à parte, com um soldado que o guardava, ao contrário dos demais presos, que foram entregues ao general dos exércitos (At.28:16). Assim que instalado, sem perda de tempo, três dias depois de sua chegada, o apóstolo convocou os principais dos judeus, tendo então dado satisfação a eles do motivo de sua estada em Roma, dos fatos que haviam ocorrido em Jerusalém e, principalmente, para lhes pregar o Evangelho. O incansável apóstolo sabia muito bem porque estava em Roma e, por isso, cumpria a vontade do Senhor, testificando de Cristo na capital do Império (At.28:17-22).

– Paulo, então, ficou sabendo que a comunidade judaica de Roma não havia sido informada de coisa alguma a respeito de Paulo, mas, como era notório, mostraram suas reservas contra “a seita”, mas o apóstolo, então, marcou um dia para lhes pregar a Palavra, tendo, então, declarado com bom testemunho o reino de Deus, buscando persuadi-los à fé em Jesus, tanto pela lei de Moisés, quanto pelos profetas, desde pela manhã até a tarde. Alguns creram no que foi dito, mas outros, não. Houve, então, discordância entre eles, tendo se despedido de Paulo que, então, lhes lembrou da palavra do profeta Isaías que dissera a respeito da dureza de seus corações em aceitar o Evangelho, dizendo-lhes que a salvação seria dada aos gentios, diante de sua rejeição (At.28:23-29).

– Paulo, em Roma, agia como sempre havia feito. Pregara primeiro aos judeus para só então, depois, ir ao encontro dos gentios. A comunidade judaica de Roma entrou em grande contenda por causa das palavras que lhe foram ditas, mas, mesmo assim, não aceitou a Cristo. Confirmava-se a dureza de cerviz a Israel e a abertura da oportunidade aos gentios, como o próprio Paulo escrevera aos crentes romanos em sua epístola (Rm.11).

Diante da rejeição dos judeus, Paulo voltou-se para os gentios, pregando-lhes durante dois anos inteiros na sua própria habitação que alugara e recebia tantos quantos iam vê-lo. Pregava o reino de Deus e ensinava com toda a liberdade as coisas pertencentes ao Senhor Jesus Cristo, sem impedimento algum (At.28:29-31).

Assim terminou a narrativa de Lucas em Atos dos Apóstolos: o apóstolo Paulo foi mantido em prisão domiciliar por dois anos, pregando o Evangelho sem qualquer impedimento. Por isso, entendem muitos que, nesta ocasião, após os dois anos de prisão domiciliar em Roma, Paulo foi absolvido e pôde, então, realizar a sua desejada viagem missionária à Espanha, enviado pela igreja de Roma. O texto de II Tm.4:16,17 é a base para tal raciocínio.

Da Espanha, teria, então, retornado a Ásia Menor, mais precisamente a Trôade, onde teria sido denunciado por um ferreiro chamado Alexandre(II Tm.4:13,14) e mandado, então, a Roma, onde foi martirizado na primeira grande perseguição romana contra a Igreja, a perseguição de Nero, quando, então, preso mais uma vez, acabou condenado à morte, como prenunciou na sua última carta, II Timóteo (II Tm.4:6).

Enquanto esteve em Roma, Paulo não só testificou de Cristo em sua residência alugada, como também escreveu cartas para as igrejas locais que havia fundado. As chamadas “cartas da prisão” foram redigidas pelo apóstolo quando se encontrava em Roma, dando continuidade a seu ministério epistolar. Em todas estas cartas, o apóstolo informa a sua condição de preso, a saber: Filipenses (Fp.1:12-13), Colossenses (Cl.1:24), Efésios (Ef.3:1; 4:1; 6:20) e Filemom (Fm.1).

– O apóstolo, assim, incansavelmente, até os últimos dias de sua vida, dedicou-se a evangelizar os gentios, pregando o reino de Deus e ensinando as coisas pertencentes ao Senhor Jesus. Por isso, ao terminar seu labor, pôde dizer que havia combatido o bom combate, acabado a carreira e guardado a fé, restando-lhe tão somente aguardar o recebimento da coroa da justiça que tanto ele quanto os que amam a vinda do Senhor Jesus receberão naquele dia (II Tm.4:7,8).

– Como dissemos na primeira lição, o livro de Atos não tem um “amém”, porque a Igreja continua seguindo o exemplo dos apóstolos, pregando o reino de Deus e ensinando as coisas pertencentes ao Senhor Jesus, aguardando o dia em que o Senhor voltará para arrebatar a Sua Igreja. Que cada um esteja agindo desta mesma maneira, levando a mensagem de Jerusalém até os confins da Terra, apesar de todas as perseguições e tribulações, para que possamos nos encontrar com o Senhor nos ares e receber d’Ele o Seu galardão no Tribunal de Cristo. Somos dos tais?

Caramuru Afonso Francisco

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Lições Bíblicas_Atos dos Apóstolos

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Lição 12

AS VIAGENS MISSIONÁRIAS DE PAULO
Texto Áureo: At. 13.2 – Leitura Bíblica em Classe: At. 13.46-49
Pb. José Roberto A. Barbosa
Objetivo: Mostrar aos alunos que a expansão da igreja é um processo que envolve a ação do Espírito Santo e a obediência irrestrita do crente ao ide evangelístico de Jesus.INTRODUÇÃO
Antes de ascender ao Céu, Jesus reuniu seus discípulos a fim de lhes passar determinadas instruções. Esse momento costuma ser denominado de Grande Comissão e se encontra registrado ao final dos quatro evangelhos e no início de Atos. Seguindo as instruções do Senhor, os discípulos deveriam fazer discípulos (Mt. 28.19) em todas as etnias (Mc. 16.15), pregar sobre a Sua morte e ressurreição (Lc. 24.46), partir como enviados de Cristo (Jo. 20.21) e depender sempre do poder do Espírito do Santo para no testemunho do evangelho (At. 1.8). O Apóstolo Paulo levou a sério a ordem do Senhor e, em três viagens missionárias, foi poderosamente usado pelo Espírito na expansão do evangelho.

1. PRIMEIRA VIAGEM MISSIONÁRIA
A primeira viagem missionária de Paulo está registrada em Atos 13.1 a 14.28. Essa foi uma missão para os gentios e o Apóstolo partiu de Antioquia. Do Porto da Selêucia, Ele seguiu juntamente com seus companheiros. A partir de Salamina viajaram toda a extensão da ilha, pregando inicialmente nas sinagogas dos Judeus. Durante essa viagem Paulo teve contato com o Proconsul Sergio Paulo. Seguindo viagem, aportou em Perge na Panfília. Naquela ocasião Barnabé era o líder, Paulo o pregador, e João Marcos – primo de Barnabé – um auxiliar. Ao deixar Chipre – cidade de Barnabé – Paulo assumiu a liderança e Marcos os abandonou, retornando para Jerusalém (At. 13.13). Paulo e Barnabé seguiram rumo ao norte, em direção da província da Galácia. Ele visitaram Antioquia (da Psídia), Icônio, Listra e Derbe. Em Antioquia Paulo pregou na sinagoga, discorrendo sobre a história de Israel e o cumprimento das promessas de Deus a respeito da vinda do Salvador, Jesus. A ênfase do Apóstolo foi posta sobre o perdão dos pecados e da justificação por meio da fé em Cristo (At. 13.38-39). Esses temas seriam enfatizados na Epístola aos Gálatas, escrita durante essa primeira viagem, na qual se opõe veemente à doutrina judaizante (Gl. 1.1-9). Enquanto se encontravam em Icônio, o Senhor realizou muitos sinais e maravilhas pelas mãos dos apóstolos (At. 14.3; Gl. 3.5). Em Listra, cidade em que Zeus e Hermes eram adorados (At. 14.11,12), Paulo curou um homem aleijado desde o ventre da mãe e isso fez com que as pessoas da cidade quisessem adorar a ele e Barnabé como deuses. Mesmo assim, judeus vieram de Antioquia e Icônio a fim de persegui-los, e por fim, apedrejaram a Paulo, deixando-o morto. Milagrosamente Ele se levantou após o apedrejamento e seguiu no dia seguinte juntamente com Barnabé para a cidade de Derbe. Ao retornar para Antioquia, Paulo passa, então, a ser como o Apóstolo do evangelho da incircuncisão” (At. 15.22-26; Gl. 2.7).

2. SEGUNDA VIAGEM MISSIONÁRIA
A segunda viagem missionária de Paulo se encontra registra em At. 15.36 s 18.22. Essa pretendia ser uma viagem para visitar as cidades nas quais o evangelho de Cristo havia sido pregado (At. 15.36). Antes da partida ocorreu um desentendimento entre Paulo e Barnabé, por causa do interesse de João Marcos de acompanhá-los, e isso acabou por separá-los, então, Paulo decidiu seguir com Silas em direção a Siria e Cilicia, com a benção da igreja (At. 15.40), iniciando pela Galácia. O interesse central de Paulo estava na Macedônia e em Acaia. Paulo tomou também consigo seu filho na fé, Timóteo, quando passavam por Listra (At. 16.3). Em resposta a uma visão (At. 16.9,10), os missionários embarcaram para a Macedônia (At. 16.6-10), dando iniciou a evangelização em solo europeu. Na Macedônica, três cidades foram escolhidas como pontos centrais para a evangelização: Filipos (At. 16.12-40), Tessalônica (At. 17.1-9) e Beréia (At. 17.10-14), e em Acaia, duas cidades foram visitadas: Atenas (At. 17.15-34) e Corinto (At. 18.1-18). Em Filipos Paulo encontrou pessoas tementes a Deus (At. 16.12) e Lídia, uma adoradora do Senhor (At. 16.14). Esse gentios foram os primeiros a responderem ao evangelho de Cristo e a serem salvos (At. 16.31-34). Nessa cidade os mensageiros do Senhor sofreram perseguição e foram postos na prisão, onde oravam e louvavam ao Senhor, e, após intervenção divina, o carcereiro e sua família se converteram ao Senhor (At. 16.20,21). Após ser liberado da prisão, Paulo apelou para sua cidadania romana, algo que poderia ter prevenido que ele fosse açoitado (At. 16.22-24). Tessalônica era a capital da província da Macedônia e naquele lugar Paulo começou a pregar na sinagoga, confrontando os ouvintes à luz das Escrituras (At. 17.2). Os missionários acabaram sendo acusados de sedição contra o império romano, por apregoarem outro rei, Jesus (At. 17.7). Por causa disso, eles tiveram que fugir da cidade e seguiram para Beréia, onde permaneceram por pouco tempo, atentando, que naquela cidade, havia nobreza, pois os ouvintes eram criteriosos no exame das Escrituras (At. 17.10-15). Em seguida Paulo entrou na província de Acaia, em uma das suas mais importantes cidades, Atenas, famosa pela quantidade de ídolos, causando incômodo ao Apóstolo (At. 17.16). Em Atenas ele tanto pregou nas sinagogas quanto nos lugares públicos, onde encontrou os filósofos epicureus e estóicos, que consideraram Paulo não mais do que um falastrão (At. 17.18). Em Atenas Paulo pregou sobre o Deus Desconhecido dos atenienses, e falou a respeito de Jesus e da ressurreição. Em oposição ao pensamento filosófico, Ele expôs a doutrina de um Deus pessoal e vivo que criou o mundo e que o sustenta e que um dia haverá de julgá-lo, portanto, argumentou o Apóstolos, todos devem se arrepender (At. 17.22-34). Após sair de Atenas Paulo seguiu para Corinto onde permaneceu por um ano e meio. Na cidade Paulo foi hospedado por um casal, Áquila e Priscila, companheiros de fé e profissão, também fabricantes de tendas (Rm. 16.3-5). Em Corinto Paulo foi acusado pelos judeus de adorar a Deus de modo contrário à Lei, resultando na sua apresentação, perante Gálio, no tribunal (At. 18.15-17). Após uma rápida visita a Éfeso, Paulo seguiu viagem, prometendo retornar se essa fosse à vontade do Senhor, e logo retornou para Antioquia (At. 18.19-21). Durante essa segunda viagem missionária Paulo escreveu duas cartas: I e II Epístolas aos Tessalonicenses.

3. TERCEIRA VIAGEM MISSIONÁRIA
A terceira viagem missionária de Paulo se encontra registrada em At. 18.23 a 21.14. O Apóstolo segue mais uma vez em direção a região da Galácia e da Frigia. Em seguida, segue rumo a Ásia, para sua principal cidade, Éfeso. Nesse local ele permaneceu por aproximadamente dois a três anos, sua estada mais longa em um mesmo lugar (At. 19.8-10; 20.31). Lucas testemunha que durante a permanência de Paulo na cidade, todos que habitavam na Ásia ouviram a palavra do Senhor, tanto judeus quanto gregos (At. 19.10) e que a palavra de Deus prevalecia poderosamente (At. 19.20). Após deixar Éfeso, Paulo seguiu rumo a Trôade (II Co. 2.12-13), depois para a Macedônia e Grécia, onde passou três meses (At. 20.3). Enquanto se encontrava em Corinto, escreveu sua Epístola aos Romanos. Quando retornava de Filipos e Trôade, passou por Mileto e encontrou-se com os presbíteros da igreja de Éfeso (At. 20.17-35) com o objetivo de reafirmar seu ministério perante eles, e encarregá-los de responsabilidades pastorais, advertindo-os também quanto ao perigo das heresias que viriam após a sua partida (At. 20.28-31). Desejoso de ir a Jerusalém, para Festa de Pentecoste (At. 20.16), Paulo partiu em direção a Tiro e Cesaréia (At. 21.3-6; 8-16), onde foi advertido a respeito dos perigos que sobreviriam sobre ele. Mesmo assim, seguiu para Jerusalém (At. 21.13), levando consigo a coleta dos irmãos para os necessitados (I Co. 16.1-4; II Co. 8-9; Rm. 15.25-27). Enquanto era recebido por Tiago e os anciãos da igreja, alguns judeus da Ásia, que estavam presentes em Jerusalém, para celebrar a Festa de Pentecoste, acusaram Paulo de profanar a área do templo (At. 21.27-36), o que resultou em sua prisão pela capitão romano da cidade. Nessa viagem missionária, além da Epístola aos Romanos, Paulo escreveu I e II Coríntios.

CONCLUSÃO
As viagens missionárias de Paulo revelam seu profundo amor a Jesus Cristo, bem como a seriedade que esse atribuía à obra evangelizadora. Ele tinha profunda convicção do seu chamado para levar o evangelho às nações (Gl. 1. 15,16; Rm. 1.1; I Co. 1.1). Ele não se envergonhava do evangelho, pois reconhecia neste o poder de Deus para salvação de todo aquele que crer (Rm. 1.16). O Apóstolo dos Gentios não temia oposição e muito menos adversidades, pois estava ciente da responsabilidade que recaia sobre os seus ombros (I Co. 9.16). O teor da mensagem missionária paulina era, repetidamente, Jesus Cristo, o Ressuscitado (I Co. 1.30; II Co. 4.5). A dedicação de Paulo à obra missionária era tão intensa que o fazia afirmar que ele não mais vivia, mas Cristo vivia nele (Gl. 2.20), e que para ele o viver era Cristo e o morrer era lucro (Fp. 1.20). Paulo a nada temia, e como muitos missionários espalhados pelo mundo atualmente, pelo quais devemos orar e contribuir, testemunhava de Jesus, a fim de que o Senhor fosse manifestado na vida dele (II Co. 4.10,11). Que como Paulo, e esses destemidos missionários, sejamos também capazes de, pelo Espírito, afirmar: “ai de mim se não pregar o evangelho”!

BIBLIOGRAFIA
MARSHALL, I. H. Atos: introdução e comentário. São Paulo: Vida Nova, 2008.
WILLIAMS, D. J. Atos. São Paulo: Vida, 1996.

Fonte:

Twitter: @subsidioEBD
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Lições Bíblicas_Atos dos Apóstolos

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LIÇÃO 11

O PRIMEIRO CONCÍLIO DA IGREJA DE CRISTO
Texto Áureo: At. 15.28,29 – Leitura Bíblica em Classe: At. 15.6-12
Pb. José Roberto A. Barbosa
Objetivo: Mostrar aos alunos que a intenção de um concílio eclesiástico, convocado sob orientação divina, é preservar a unidade da igreja no Espírito e conservar a sã doutrina.

INTRODUÇÃO
Desde os seus primórdios, a igreja cristã precisou lidar com controvérsias que colocaram em risco a unidade doutrinária. Na aula de hoje, estudaremos a respeito da questão judaizante, que se espalhou em algumas igrejas e comprometia o evangelho de Cristo. Nesta lição, veremos como a igreja primitiva respondeu às tentativas religiosas de minar a doutrina, e, ao mesmo tempo, conseguiu manter o equilíbrio entre preservar a doutrina e cultivar o amor pelos irmãos.

1. O CONCÍLIO EM JERUSALÉM
A realização de um concílio em Jerusalém se fez necessária por causa de uma crença predominante entre alguns judeus que para os gentios serem salvos esses precisariam se tornar membros do povo de Deus e aceitar as obrigações da lei judaica. Além disso, havia também um problema, pois, para alguns judeus, os gentios, ao participarem da mesa da comunhão, a tornavam impura, por causa do alimento que traziam. Os mais preocupados com a inclusão dos gentios no seio da igreja eram os judaizantes. Eles argumentavam, a respeito dos gentios, que se esses não se circuncidassem, conforme o uso de Moisés, não podiam ser salvos (At. 15.1,2). Esse grupo permanecia atado às praticais rituais do judaísmo, eles não admitiam desconsiderar os rituais judaicos, na verdade, eram tais eram mais fariseus do que cristãos (At. 15.5). Logo a princípio, Paulo percebeu que esse ensinamento era contrário à fé cristã, e que punha em risco o evangelho de Cristo, desconsiderando a Sua morte expiatória (Gl. 2.21; 5.1-6). Caso a igreja optasse pela doutrina dos judaizantes, a morte de Cristo perderia a razão de ser, e o cristianismo não passaria de uma facção de judaísmo (Gl. 3.1-3). O posicionamento contundente de Paulo em relação aos judaizantes revelava o risco que o evangelho passava, a necessidade de defender os princípios básicos da fé cristã que estão sendo questionados, e com esses, o futuro da igreja de Jesus Cristo. Durante o concílio, Pedro lembrou do episódio de Cesaréia, na residência de Cornélio, como testemunho de que “Deus me escolheu dentre vós para que, por meu intermédio, ouvissem os gentios a palavra do evangelho e cressem” (At. 15.7). Ninguém pode acusar Pedro se ser judaizante, haja vista que, conforme declarou no concílio “Cremos que fomos salvos pela graça do Senhor Jesus, como também aqueles o foram” (At. 15.11), consoante ao que afirmou Paulo aos Gálatas (Gl. 2.16). Tiago, o meio-irmão do Senhor, autor da Epístola que leva seu nome, e líder da igreja em Jerusalém, também “expôs Simão como Deus primeiro visitou os gentios, a fim de construir dentre eles um povo para o seu nome” (At. 15.14). Tiago destacou ainda que essa realidade confirmava “as palavras dos profetas” (At. 15.15). A partir de tal declaração, aprendemos que qualquer concílio eclesiástico somente é legítimo se esse se pautar pela autoridade das Escrituras.

2. A CARTA DO CONCÍLIO
Os debates ocorridos naquele concílio resultaram na produção de uma Carta que deveria ser enviada às igrejas. O teor dessa missiva deixava explícito o repúdio dos cristãos aos postulados judaizantes, e os desautorizava a proclamar os falsos ensinamentos que comprometiam a verdade da fé cristã. Por isso, “pareceu bem aos apóstolos e aos presbíteros, com toda a igreja, tendo elegido homens dentre eles, envia-los juntamente com Paulo e Bernabé, a Antioquia: foram Judas, chamado Barsabás e Silas”, homens que, segundo Lucas, eram “notáveis entre os irmãos” (At. 15.22). Além de reprovar aqueles que perturbavam com palavras, transtornando as almas dos crentes, os líderes reconheciam que não se fazia necessário “impor maior encargo além destas coisas essenciais: que vos abstenhais das coisas sacrificadas aos ídolos, bem como do sangue, da carne de animais sacrificados e das relações sexuais ilícitas”. Tais recomendações devem servir de alerta a certos líderes eclesiásticos que querem impor sobre a igreja fardos pesados, que eles mesmos não são capazes de cumprir, e que servem apenas para alimentar a vaidade ministerial. É preciso destacar também que essas orientações eram predominantemente rituais, a exceção da imoralidade sexual, e se tratavam mais de uma recomendação do que uma ordem, por isso, “fareis bem se vos guardardes” (At. 15.29). O objetivo primordial de tais recomendações era a preservação dos irmãos mais fracos, os judeus que não comiam carne se o sangue não tivesse sido tirado, nem a de animais estrangulados ou que morriam por doença. Por isso, era preciso que os gentios fizessem algumas concessões com respeito à alimentação. Assim fazendo, estavam seguindo a lei do amor, evitando o escândalo dos irmãos mais judeus mais fracos na fé (Rm. 14.21). Os cristãos de hoje também precisa fazer concessões em relação aos crentes mais fracos na fé, por amor, mas, ao mesmo tempo, devem conduzi-los ao crescimento, a fim de que esses não permaneçam na meninice (I Co. 3.1; 14.20; Gl. 4.3).

3. RESULTADOS DO CONCÍLIO
O concílio de Jerusalém, a respeito da questão judaizante, trouxe alguns resultados para a igreja cristã. O primeiro deles foi o conforto, pois todos “sobremaneira se alegraram, pelo conforto recebido” (At. 15.31). O fardo pesado imposto sobre os falsos mestres judaizantes seria a partir de então aliviado pelo jugo suave do evangelho de Cristo (Mt. 11.28,29). Além disso, Judas e Silas, ao contrário dos legalistas, “consolaram os irmãos com muitos conselhos e os fortaleceram” (At. 15.32). Os cristãos gentios puderam finalmente desfrutar da liberdade cristã, e, ao invés de serem controlados por práticas externas, passaram a desfrutar da lei do amor. A partir do momento que compreendemos o amor de Deus, podemos finalmente amá-lo, mais que isso, obedecê-lo, não porque isso apaziguará a Sua ira, mas porque nos agrada fazer a Sua vontade, essa é a lei que passar a conduzir as atitudes do coração (Jr. 31.33). Essa liberdade, por outro lado, não deva dar margem para a libertinagem, pois, conforme lembrou Paulo aos coríntios: “Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas convêm; todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas edificam. Ninguém busque o proveito próprio; antes cada um o que é de outrem” (I Co. 10.23,24). O cristão precisa agir com bom senso, tendo o amor como fundamento, para perceber quando uma determinada prática pode comprometer o evangelho de Cristo ou quando essa pode ser observada a fim de que outro irmão não seja escandalizado. Em se tratando de alimento, podemos comer tudo, até mesmo a comida que foi sacrificada aos ídolos, contanto que não perguntemos, por questão de consciência, ou, se for caso, para que a fé de um determinado irmão seja abalada (I Co. 10.25).

CONCLUSÃO
As igrejas evangélicas costumam apresentar costumes religiosos, alguns deles não são doutrinários. Contanto que esses não comprometam a doutrina do evangelho de Cristo, ou seja, não sejam impostos como condições para a salvação, nada há de errado em observá-los. Alguns usos e costumes são saudáveis à igreja, mas não podem ser transformados em regras legalistas. Há igrejas pentecostais que demonstram zelo pelos usos e costumes dos pioneiros, outras já não mais os consideram válidos. A regra áurea continua sendo a mesma aplicada aos gentios pelo concílio de Jerusalém: o equilíbrio entre a preservação da doutrina e o respeito aos costumes. Para tanto, é de bom alvitre atentar para a recomendação do Apóstolo dos Gentios, “quer comais quer bebais, ou façais outra qualquer coisa, fazei tudo para glória de Deus” (I Co. 10.31).

BIBLIOGRAFIA
STOTT, J. A mensagem de Atos. São Paulo: Abu, 2008.
WILLIAMS, D. J. Atos. São Paulo: Vida, 1996.

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LIÇÃO 10 – O EVANGELHO PROPAGA-SE ENTRE OS GENTIOS
1º trimestre de 2011
Atos dos Apóstolos
COMENTARISTA: Pr Claudionor de Andrade
Subsídio: Pb. José Roberto A. Barbosa

Texto Áureo: At. 10.45 – Leitura Bíblica em Classe: At. 10.44-48; 11.15-18.
Objetivo: Mostrar aos alunos que Deus não faz acepção de pessoas, de nações ou de raças e que deseja que o evangelho de Jesus Cristo seja anunciado entre todos os povos.

INTRODUÇÃO
A pregação do evangelho, nos primeiros capítulos de Atos, ficou restrita a Jerusalém. No capítulo 8, esse passa a ser enunciado entre os samaritanos, mas fazia-se necessário que esse fosse mais além. Na aula de hoje, estudaremos a respeito da pregação de Pedro entre os gentios, mais especificamente, na casa de Cornélio, ressaltando seus efeitos a todos aqueles que recebem a Cristo como Salvador.

1. CORNÉLIO, UM OFICIAL PIEDOSO
Na cidade de Cesaréia, habitava um oficial romano, por nome Cornélio. Lucas o apresenta como “centurião da coorte, chamada italiana, piedoso e temente a Deus com toda a sua casa”. Esse homem praticava sua fé em Deus por meio de “muitas esmolas ao povo e de continuo orava a Deus” (At. 10.1,2). O registro lucano demonstra ser esse um homem que buscava agradar a Deus, era sensível à causa dos necessitados e um pai de família exemplar. O texto dá a entender que Cornélio era um convertido ao judaísmo e que tinha a intenção de servir a Deus. Em resposta às suas orações, ele recebeu a visita de um anjo, que veio até ele, não para pregar o evangelho, pois essa não era sua atribuição, mas para indicar onde encontrar um mensageiro da Palavra, o apóstolo Pedro. O oficial romano envia “dois dos seus domésticos e um soldado piedoso” para irem a Jope, a fim de chamar “Simão, que tem por sobrenome Pedro” (At. 10.5). Enquanto esses se dirigiam a Jope, o Senhor deu uma visão a Pedro na qual ele viu um lençol, que representava o mundo, os quatro cantos; apontando para os quatro pontos cardeais da terra; os animais que simbolizavam as raças e que seriam alcançadas pela pregação de Cristo. A visão dada a Pedro pode ter resultado da sua condição espiritual, pois se encontrava em jejum: “estando com fome, quis comer: mas, enquanto lhe preparavam a comida sobreveio-lhe um êxtase” (At. 10.10). Ele ouviu uma voz que dizia “mata e come” (At. 10.13). A resposta do apóstolo foi decisiva: “De modo nenhum, Senhor” e acrescentou “jamais comi coisa alguma comum e imunda” (At. 10.15). A visão do lençol se repetiu “por três vezes, e logo aquele objeto foi recolhido ao céu” (At. 10.16). Aquela visão deva ter deixado Pedro perplexo e confuso, mas enquanto “meditava acerca da visão, disse-lhe o Espírito: Estão ai dois homens que te procuram” (At. 10.19). Deus é Senhor das situações, pois Ele preparou Pedro, o judeu, para que esse levasse o evangelho a Cornélio, o gentio.

2. A PREGAÇÃO DE PEDRO EM CESARÉIA
No dia seguinte Pedro partiu com eles, acompanhados por alguns irmãos que habitavam em Jope. Cornélio o esperava, e para ouvi-lo, preparou o ambiente, reunindo “seus parentes e amigos íntimos” (At. 10.24). A atitude de Cornélio deva servir de exemplo para os cristãos dos dias atuais, a fim de que possam abrir portas para que o evangelho de Cristo seja anunciado, entre vizinhos e parentes. Cornélio era tão temente a Deus que ao avistar Pedro prostrou-se aos seus pés e o adorou. Mas Pedro, diferentemente de alguns líderes religiosos, que gostam de ser adorados, “o levantou, dizendo: Ergue-te, que eu também sou homem” (At. 10.26). Em seguida, passou a expor a verdade do evangelho, partindo da revelação que o Senhor havia lhe dado: “Reconheço por verdade que Deus não faz acepção de pessoas; mas que lhe é agradável àquele que, em qualquer nação, o teme e obra o que é justo” (At. 10.34,35). A mensagem de Pedro revela que Deus não faz distinção geográfica de pessoas, isto é, quanto à nacionalidade. Isso não quer dizer que elas podem ser salvas por meio das obras (Ef. 2.8,9). Jesus é o caminho, a verdade e a vida, ninguém vai ao Pai senão por Ele (Jo. 14.6) e em nenhum outro há salvação senão no nome de Jesus (At. 4.12). Pedro foi enviado a Jope justamente para proclamar a morte e a ressurreição de Cristo (At. 10.38-40). A mensagem do apóstolo alertou os ouvintes quanto ao juízo: “ele é quem foi constituído por Deus juiz de vivos e mortos” (At. 10.42). Em consonância com o evangelho, declara também “que todos os que nele crêem receberão o perdão dos pecados pelo seu nome” (At. 10.43). A pregação de Pedro foi genuinamente evangélica, ele anunciou a condição de pecado das pessoas (Rm. 3.23), as conseqüências do pecado (Rm. 6.23), a incapacidade da salvação pelas obras (Ef. 2.8,9), a realidade do juízo vindouro (I Tm. 4.1) e a necessidade de arrependimento para o recebimento do perdão de pecados (At. 2.38). Existem muitos pregadores nos dias de hoje que não tratam mais a respeito desses temas. Como eles não anunciam o evangelho de Cristo, também não podem ser considerados pregadores evangélicos.

3. OS EFEITOS DA PREGAÇÃO DE PEDRO
A genuína pregação do evangelho de Jesus Cristo traz efeitos positivos. Enquanto Pedro anunciava a mensagem, “caiu o Espírito Santo sobre todos os que ouviam a Palavra” (At. 10.44). O verdadeiro pentecostes acontece sempre em consonância com a ministração da Palavra de Deus. O movimento pentecostal não é resultado de mero subjetivismo. Os pioneiros pentecostais eram homens e mulheres que amavam a Palavra de Deus. A maioria deles não teve a oportunidade de obter formação acadêmica, mas, por outro lado, eram estudiosos da Bíblia, tinha prazer em conhecer suas doutrinas. As escolas dominicais e as escolas bíblicas para obreiros tiveram papel fundamental na formação dos pioneiros do movimento pentecostal. Esse é o fator desencadeador do derramamento do Espírito que causou admiração aos “fiéis que eram da circuncisão, todos quantos tinham vindo com Pedro, maravilharam-se de que o dom do Espírito Santo se derramasse também sobre os gentios” (At. 10.45). A graça maravilhosa de Deus nos causa espanto, pois Ele prova Seu amor pelo fato de nos ter amado sendo nós ainda pecadores (Rm. 5.8). A mensagem de Jesus Cristo é boa nova, ela alcança as pessoas, indistintamente do país, posição social ou formação educacional, basta apenas reconhecer que são pecadoras e necessitadas da salvação. A esses é prometido o recebimento do Espírito Santo, não apenas no ato da regeneração, mas também como revestimento de poder, a fim de que testemunhem de Cristo (At. 1.8). Na casa de Cornélio esses fatos acontecerem simultaneamente, já que as pessoas foram salvas, e ao mesmo tempo, receberam o batismo no Espírito Santo: “Porque os ouviam falar línguas, e magnificar a Deus” (At. 10.46). O derramamento do Espírito Santo foi motivo suficiente para que Pedro ordenasse o batismo nas águas “mandou que fossem batizados em nome do Senhor” (At. 10.48). O recebimento do Batismo no Espírito Santo não desobriga o cristão de buscar o batismo nas águas, esse é necessário como testemunho de que esse morreu e ressuscitou em Cristo, ainda que não seja condição para a salvação (Cl. 2.11,12).

CONCLUSÃO
O evangelho de Jesus Cristo não é exclusividade de uma nação. Desde o princípio o Senhor ordenou que Sua mensagem fosse pregada a todas as etnias (Mc. 16.15), até aos confins da terra (At. 1.8). Depois da perseguição, os discípulos se espalharam por Samaria, anunciado a Palavra (At. 8.4). Neste capítulo 10 de Atos, estudado na aula de hoje, vemos como Deus abriu a porta para a difusão do evangelho entre os gentios, mostrando que Ele não faz acepção de pessoas. Diante dessa verdade, resta a igreja a responsabilidade de fazer discípulos, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo (Mt. 28.19).

BIBLIOGRAFIA
PEARLMAN, M. Atos. Rio de Janeiro: CPAD, 2010.
STOTT, J. A mensagem de Atos. São Paulo: Abu, 2008.

fonte: http://subsidioebd.blogspot.com/
Acesso em 27/02/2011.

Agradecimentos ao Irmão e Professor Manoel pelo material.

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Subsídio para Lições Bíblicas (Lição 9)
A Conversão de Paulo

Quem era Paulo antes de sua conversão?

O escritor de Atos dos Apóstolos usa inicialmente o nome Saulo para se referir a este personagem. Somente a partir do capítulo 13, versículo 9, Lucas passa a referir-se a ele como Paulo: “Todavia Saulo, que também se chama Paulo, cheio do Espírito Santo, e fixando os olhos nele…”.

Saulo era o seu nome hebreu, e Paulo, o nome romano, originário do latim. A autora do hino 196 da Harpa Cristã, Frida Vingren, usa um paralelismo para ilustrar a conversão desse apóstolo construindo a seguinte expressão: “Mui zeloso pela lei foi Saulo, perseguia o povo de Deus, mas transformado foi em um Paulo, pois achou ele a rosa dos céus”. Isso não quer dizer que após sua conversão, Paulo deixou de ter o nome Saulo, apenas este nome não foi mais usado (pelo menos nos registros de Lucas e em suas epístolas).

Paulo:

• Era judeu, da tribo de Benjamim: “Circuncidado ao oitavo dia, da linhagem de Israel, da tribo de Benjamim, hebreu de hebreus” (Fl 3.5).

• Nascido em Tarso: “sou judeu, nascido em Tarso da Cilícia” (At 22.3).

• Estudou com Gamaliel, um dos mestres mais respeitados entre o povo: “um certo fariseu, chamado Gamaliel, doutor da lei, venerado por todo o povo” (At 5.34). “nesta cidade criado aos pés de Gamaliel, instruído conforme a verdade da lei de nossos pais” (At 22.3).

• Fariseu: “Sabendo de mim desde o princípio (se o quiserem testificar), que, conforme a mais severa seita da nossa religião, vivi fariseu.” (At 26.5). “segundo a lei, fui fariseu” (Fl 3.5).

• Falava hebraico e grego: “falou-lhes em língua hebraica” (At 21.40). “E, quando ouviram falar-lhes em língua hebraica, maior silêncio guardaram” (At 22.2). “

• Tinha duas cidadanias: era romano – “disse Paulo ao centurião que ali estava: É-vos lícito açoitar um romano, sem ser condenado?E, ouvindo isto, o centurião foi, e anunciou ao tribuno, dizendo: Vê o que vais fazer, porque este homem é romano.E, vindo o tribuno, disse-lhe: Dize-me, és tu romano? E ele disse: Sim. E respondeu o tribuno: Eu com grande soma de dinheiro alcancei este direito de cidadão. Paulo disse: Mas eu o sou de nascimento” (At 22.25-28); e israelita – “E na minha nação excedia em judaísmo a muitos da minha idade, sendo extremamente zeloso das tradições de meus pais” (Gl 1.14). “da linhagem de Israel, da tribo de Benjamim” (Fl 3.5).

• Aprendeu o ofício de fazer tendas: “E, como era do mesmo ofício, ficou com eles, e trabalhava; pois tinham por ofício fazer tendas.” (At 18.3).

Paulo e sua eloqüência

O discurso de Paulo no Areópago citando os poetas gregos (At 17.28), seu escrito a Tito fazendo referência a outro poeta (Tt 1.12), seu pedido a Timóteo para que trouxesse os livros e os pergaminhos (2Tm 4.13), traz a tona a necessidade de os verdadeiros cristãos estarem preparados também intelectualmente, buscando conhecimentos externos, afim de poderem “persuadir os homens a fé” (2 Co 5.11), e demonstrar que “a palavra da cruz é loucura para os que perecem” (1 Co 1.18).

A eloquência de Paulo diante de Festo e do rei Agripa são uma demonstração do seu preparo. Diante daquelas autoridades a sua preleção foi tão convincente que Lucas registrou: “E disse Agripa a Paulo: Por pouco me queres persuadir a que me faça cristão!” (At 26.28).

Sigamos seu exemplo, como ele seguiu o de Cristo (1 Co 11.1).
Cláudio Ananias

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Subsídio para Lições Bíblicas (Lição 8)

Quando a Igreja de Cristo é Perseguida

Perseguição à Igreja! Quando este assunto entra em pauta, para os que leram Torturado por amor a Cristo, do cristão romeno Richard Wurmbrand, não é possível que o conteúdo ali exposto seja esquecido. O relatório comovente de um sobrevivente dos suplícios a que a Igreja da Cortina de Ferro foi exposta traz para os cristãos a certeza de que, ainda no presente, é possível ser fiel à Cristo diante das perseguições, sejam elas em quais níveis forem.

Logo no início da 5ª edição deste livro, lemos as palavras: “

O playboy que se tornou pregador — esteve preso durante 14 anos em ca¬deias comunistas.

O Pr. Claudionor de Andrade, comentarista deste trimestre, procura aguçar a curiosidade dos que não tiveram acesso à obra aludida ao dizer: “Quem ainda não leu o excelente livro Torturado por Amor a Cristo?… mostra-nos o quanto a Igreja de Cristo sofreu nos paises comunistas. Atrás da cortina de ferro, eram os cristãos perseguidos física, cultural e institucionalmente”.

Aqui reproduzo o resumo, encontrado na página 5: “

O Rev. Richard Wurmbrand é o ministro evan¬gélico que passou 14 anos como prisioneiro dos comu¬nistas, torturado em sua própria terra, a Romênia. É um dos mais conhecidos líderes evangélicos, autor e educador. Poucos nomes são mais conhecidos em sua terra natal.

Esse retrato de perseguição pode ser visto como uma continuidade dos encalços que a igreja enfrentou nos seus primórdios. E não há uma única razão para tal, muitos motivos são patentes hoje na contemporaneidade da Igreja. Earle E. Cairns, historiador da Igreja cristã, coloca como causas da perseguição a política, a religião, os problemas sociais e econômicos.3 Pr. Altair Germano comenta a abordagem de Cairns em seu comentário desta semana: http://www.altairgermano.net/2011/02/quando-igreja-de-cristo-e-perseguida.html

É importante mencionar ainda nesse tema, as constantes perseguições que a Igreja evangélica sofreu na implantação de seus trabalhos no Nordeste do Brasil, especialmente pela liderança católica. Por exemplo, no Rio Grande do Norte, muitos municípios enfrentaram esse tipo de perseguição como é destacado na História das Assembléias de Deus no Brasil. No município de Ceará-Mirim foi deflagrada uma campanha difamatória pelo vigario local e seus paroquianos culminando numa procisão de desagravo. Por ocasião da inauguração do templo, o padre quis impedir o evento ameaçando transtorná-lo. Assim narra os historiadores: “Os evangélicos recorreram ao Governador do Estado, Juvenal Lamartine, que deu todo apoio e proteção, não só para inaugurar o templo com também para pregar o evangelho”.4

Como forma de contextualizar a situação da Igreja hoje, no que concerne a perseguição, um bom subsídio está no site da Missão Portas Abertas, onde é colocado a classificação de países por perseguição: http://www.portasabertas.org.br/classificacao/

Excelente aula!

Cláudio Ananias

Referências:
1. WURMBRAND, Richard. Torturado por Amor a Cristo. Imprensa Metodista, 1976. Pg. 2.
2. Idem, pg. 5
3. CAIRNS, Earle E. O Cristianismo através dos séculos. São Paulo, Vida Nova, 1995. Pg. 70-73.
4. ALMEIDA, Abraão de. História das Assembleias de Deus no Brasil. Rio de Janeiro, 1982. Pg. 147.

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Lições Bíblicas

Subsídio para Lições Bíblicas (Lição 7)

Assistência Social, um importante negócio

A assistência Social na igreja é de suma importância, tendo em vista os desafios que comumente se enfrenta neste quesito, nas mais diferentes comunidades cristãs. Quando alguém se converte, é preciso ter em mente que a igreja recebeu mais um membro, porém devemos ir além desse pensamento, o de que foi simplesmente mais uma alma para o reino de Deus. A propósito, quando usamos a expressão alma, corremos o risco de espiritualizar demais aqueles que se tornam participantes da igreja de Cristo, e não vermos as necessidades socialmente comuns daqueles que se convertem.

Os que recebemos na igreja, como novos integrantes da família de Deus, são de fato membros de uma nova família, e muitos vêem a procura de amparo, de proteção, de cuidado em todos os níveis da vida. Devemos, portanto, ter em mente que o evangelho deve atingir o homem em todas as suas necessidades, e a igreja deve cumprir com seu papel de inclusão social e de assistência.

Observe que, ao ganharmos para Cristo um drogado, uma prostituta, um ancião, uma criança de rua, etc, temos o dever de buscar através dos meios legais o auxílio que for próprio de cada situação. O Salmo 68, vers. 5 e 6 assegura “Pai de órfãos e juiz de viúvas é Deus, no seu lugar santo. Deus faz que o solitário viva em família”.
Há igrejas com condições plenas de ter um hospital próprio, na área de geriatria, pediatria e tantas outras áreas, além de escolas de nível fundamental e médio, e, contudo, não despertam para estes investimentos tão necessários. A igreja primitiva dá-nos o exemplo.

“Os judeus sempre cuidaram bem das suas viúvas e de seus órfãos. Toda sinagoga tinha um serviço permanente para cuidar destas pessoas. Uma vez por semana os encarregados pelas coletas recolhiam nos mercados e nas casas donativos em dinheiro para os pobres. Um comitê estabelecido pela comunidade supervisionava a distribuição. Aqueles que tinham necessidades temporárias recebiam uma ajuda e os totalmente necessitados recebiam o suficiente para duas refeições diárias para a semana inteira.

Este fundo para os pobres chamava-se Kuppá (cesta) e a coleta diária de alimentos para suprir os mais necessitados chamava-se Tamjui (bandeja)1”. “Alguns eruditos advogam que o ofício diaconal foi copiado da sinagoga judaica: toda sinagoga tinha pelo menos três diáconos, os quais eram chamados parnasim, palavra essa derivada do vocábulo parnes, que significa alimentar, nutrir, sustentar, governar. O parnas ou diácono era uma espécie de juiz na sinagoga; e de cada um deles se requeria doutrina e sabedoria, a fim de que pudessem discernir e passar julgamento justo, tanto nas questões sagradas como nas questões civis. O Chazan e o Chamash eram também ofícios parecidos com o do diaconato2.”

Devido a queixa dos judeus que falavam grego, a respeito da ausência do cuidado para com as suas viúvas, houve a necessidade de se eleger homens que cuidassem desse serviço de ajuda aos necessitados, a fim de que eles atendessem a todos, tantos os hebreus como qualquer que aparecesse na comunidade cristã daqueles dias. É importante considerar os requisitos propostos pelos apóstolos àqueles homens: boa reputação, cheios do Espírito Santo e de sabedoria. (At 6.3); e também as recomendações paulinas à Timóteo sobre os diáconos: “Da mesma sorte os diáconos sejam honestos, não de língua dobre, não dados a muito vinho, não cobiçosos de torpe ganância… E também estes sejam primeiro provados, depois sirvam, se forem irrepreensíveis. Da mesma sorte as esposas sejam honestas, não maldizentes, sóbrias e fiéis em tudo. Os diáconos sejam maridos de uma só mulher, e governem bem a seus filhos e suas próprias casas. Porque os que servirem bem como diáconos, adquirirão para si uma boa posição e muita confiança na fé que há em Cristo Jesus.” (I Tm 3.8-13).

Como se vê, a posição de diácono vai além de consagrações que figuram posições hierárquicas. Este é um bom tema para ser abordado Boa aula!

Cláudio Ananias

Referências: 1. BARCLAY, William. Comentário Al Nuevo Testamento, pg 822 (retirado de Diaconia, apostila ETAP). 2. CLARKE, Adam, apud PAGANELLI, pg 36 (retirado de Diaconia, apostila ETAP). ___________________________________________________________

Lição 6 – A Importância da Disciplina na Igreja

A palavra disciplina, tema da próxima aula, está ligada a uma outra: correção. Do termo hebraico musar, correção diz respeito a instrução, repreensão e advertência. O texto de Provérbios 3.11 (na ARC) faz um paralelismo dístico, ou seja, a característica da poesia hebraica que é a expressão de pensamentos sinônimos em cada linha, com o objetivo de fortalecer a idéia. “Filho meu, não rejeites a correção do SENHOR, nem te enojes da sua repreensão”.

O mesmo caso acontece no versículo 1º do capítulo 12, transcrito na lição: “O que ama a correção ama o conhecimento, mas o que aborrece a repreensão é um bruto”. Assim, precisamos entender disciplina sob esse prisma, pois é com ela que aprendemos quando erramos. Há aqueles que rejeitam a disciplina e preferem continuar no erro, justificando com o jargão errar é humano. Contudo, é mais sábio receber a correção e aprender com os erros dos outros.

Uma expressão que deve ser bem trabalhada em aula é esta: “Nestes tempos tão difíceis e trabalhosos, nós pais somos coagidos a não aplicar a disciplina aos nossos próprios filhos”. O Mensageiro da Paz, de janeiro, trouxe uma matéria com o seguinte título: Pais presos na Suécia por lei da palmada, casal fica 9 meses na cadeia devido a lei similar à discutida no Brasil. O diretor de relações internacionais da Associação de Defesa Legal da Educação Escolar em Casa (ADLEEC), disse: “Na área de direitos da família na Suécia, as coisas realmente não estão indo bem”.

Aqui no Brasil, ainda é um projeto de lei (da deputada Maria do Rosário, RS). Porém, ele tem causado polêmica. Sobretudo porque essa lei está representando a interferência direta do estado no modo como os pais devem educar os filhos. Para este assunto, é bem oportuna a introdução do livro: Os Direitos dos Pais, construindo cidadãos em tempos de crise, da educadora Tania Zagury. De forma elucidativa ela coloca: “… sempre defendi a idéia de que a cada direito corresponde um dever. E o que ouço e vejo é tão somente colocações de deveres dos pais e… direitos dos filhos.” “… os que vivem acusando os pais, como se todos fossem potencialmente irresponsáveis ou perigosos, nunca os vi procurando nada além do que os pais “fizeram de errado” ou do que “os pais deixaram de fazer”, para, em vez disso, e com mais cautela e generosidade, verificar se não haveria talvez outras explicações para os problemas que surgem amiúde na relação familiar atualmente” “… será que a razão de grande parte dos problemas não seria exatamente a inversa? Quem sabe os problemas da relação pais e filhos não teriam origem – pelo menos em parte – exatamente no fato de estarem hoje os jovens e as crianças excessivamente inflados pelo que consideram “seus direitos?”.

Não estariam esquecendo (deixando de lado, ou não sendo suficientemente esclarecidos) de que têm também, e na mesma proporção, deveres e responsabilidades?”2. Sendo a disciplina “um regime de ordem imposta ou livremente consentida”3, tendo ela a ver com regras que regem certas comunidades, e estando próxima da palavra discípulo, cabe considerar a disciplina como parte da vida cristã, parte da vida da igreja. Disciplinas espirituais são procedimentos que o cristão deve ter em sua caminhada. Essa palavra era, e ainda é usada nos círculos cristãos, quando um membro da igreja está “em pecado”, e precisa ser disciplinado. Passar pela disciplina, em muitas comunidades cristãs, é o membro ficar afastado de cargos e reuniões fechadas da igreja.

Mas, a disciplina espiritual é mais profunda. Por exemplo, orar a Deus a sós ou em grupo, contribuir financeiramente, ler a Bíblia, freqüentar a Escola Dominical, evangelizar parentes e amigos, são alguns exemplos de disciplina esquecidos por muitos cristãos. Quando nos esquecemos ou negligenciamos a disciplina cristã, começando nas coisas mínimas, corremos o risco do esfriamento espiritual e conseqüentemente, o temor a Deus se vai, fazendo com que atitudes pecaminosas se tornem comuns, pois a mente fica dormente para as coisas espirituais e aquilo que era pecado, já não causa remorso ou arrependimento no coração. É a mente cauterizada (I Tm 4.2) Foi exatamente o que aconteceu com Ananias e Safira. Ambos estavam dormentes para com a conduta verdadeira da igreja, e se esbaldaram numa seqüência de pecados tais como a mentira, a hipocrisia e o roubo, confirmando a expressão bíblica: “um abismo chama outro abismo” (Sl 42.7), É preciso considerar a disciplina, seja de que nível for, como algo para o bem, sempre para o bem. O capítulo 12 de Hebreus é rico nesse assunto.

A figura de um pai que disciplina seu filho é explorada, colocando como assertiva o fato de que “… tivemos nossos pais segundo a carne, para nos corrigirem, e nós os reverenciamos; não nos sujeitaremos muito mais ao Pai dos espíritos, para vivermos?” (Hb 12.9). E também, aqueles que estão sem disciplina não são filhos, são bastardos (Hb 12.8).

Boa aula! Cláudio Ananias

Referências: 1. Jornal Mensageiro da Paz, janeiro de 2011, pag. 19. 2. ZAGURY, Tania. Os Direitos dos Pais, construindo cidadãos em tempos de crise, Rio de Janeiro, Record, 2004, pág. 12. 3. Dicionário Aurélio.

Em 1945, quando os comunistas tomaram a Romênia e tentaram submeter às Igrejas aos seus propósitos, Richard Wurmbrand imediatamente iniciou um minis¬tério eficiente e vigoroso, pelo processo chamado “sub-terrâneo”, destinado à pregação do Evangelho ao seu povo escravizado pelos soldados russos invasores. Foi preso em 1948 com sua esposa Sabina. Durante três anos sua esposa trabalhou escravizada e Richard Wurm¬brand passou esse tempo numa prisão solitária — sem ver qualquer pessoa, a não ser os seus torturadores co¬munistas. Depois de três anos foi transferido para uma cela coletiva, onde as torturas continuaram durante cinco anos.

Por causa de sua liderança cristã internacional, di¬plomatas de embaixadas estrangeiras indagaram ao go¬verno comunista sobre sua segurança. A resposta foi que ele havia fugido da Romênia. Elementos da polícia secreta, passando como ex-companheiros de prisão, dis¬seram à sua esposa que assistiram ao seu funeral no cemitério da prisão. Sua família na Romênia e seus amigos de outros países foram avisados que deveriam esquecê-lo em vista de já estar morto.

Depois de oito anos foi solto e imediatamente reas¬sumiu seu trabalho na Igreja Subterrânea. Dois anos depois, em 1959, foi outra vez preso e condenado a 25 anos de reclusão.

Foi solto em 1964 por uma anistia geral e mais uma vez prosseguiu em seu ministério secreto. Levando em consideração o grande perigo de um terceiro período na prisão, crentes da Noruega negociam com as auto¬ridades comunistas sua permissão para deixar a Romênia. O governo comunista havia iniciado a “venda” dos seus presos políticos. O preço da libertação de um prisioneiro era de 800 libras, mas o preço de Wurmbrand foi fixado em 2.500 libras!

Em maio de 1966 testemunhou ele em Washington perante a Subcomissão de Segurança Interna do Se¬nado Americano, ocasião em que tirou a camisa para mostrar aos presentes dezoito profundas cicatrizes pro-vocadas pelas torturas físicas recebidas.
Sua história foi levada a todo o mundo pela im¬prensa livre dos Estados Unidos, da Europa e da Ásia. Em setembro de 1966 foi advertido que o regime comu¬nista da Romênia decidira eliminá-lo. Apesar disso não silenciou e continua a dar seu testemunho. Tem sido chamado “a voz da Igreja Subterrânea”. Líderes cristãos têm-no considerado o “Mártir Vivo” e o “Paulo da Cortina de Ferro”.2

Os guar¬das tentaram forçá-lo a confessar que pertencia a uma rede de espionagem imperialista.

Foi açoitado, torturado e obrigado a ingerir dro¬gas.
Apesar de tudo ele resistiu e ficou firme.

Passou dois anos na “cela da morte” — assim chamada por não ter vol¬tado ninguém dali com vi¬da.”1